O que é Storydoing?

Conectar-se emocionalmente com o cliente é uma tarefa que demanda muitos esforços dos profissionais de marketing, mas que, se executada com excelência, contribui significativamente para o sucesso de uma marca. Decerto, perceber as demandas do consumidor é essencial para que a conexão entre o cliente e a empresa seja estabelecida e, sob essa premissa, o "Edelman Trust Barometer 2020" reuniu dados que apontam uma demanda latente: 83% das pessoas ao redor do mudo sentem que as marcas deveriam usar seus canais de comunicação para criar um senso de comunidade e suporte. Esse dado, juntamente com observações a respeito dos comportamentos dos consumidores, nos permite inferir que as pessoas vêm buscando cada vez mais consumir produtos e serviços de empresas que se importam com a comunidade e demonstram responsabilidade social. É justamente em função desta busca por empresas com valores bem definidos que surge o Storydoing: uma maneira de comunicar os valores que uma marca prega e defende na prática.



Contar histórias que envolvem emocionalmente seu público de interesse, o storytelling, é uma estratégia que já vem sendo utilizada por diversas empresas há algum tempo. O storytelling é uma ótima maneira de alcançar e comover o público, porém o consumidor atual deseja ver não apenas histórias interessantes, mas também atitudes interessantes. É aí que o storydoing se mostra essencial, pois permite que o público enxergue as narrativas contadas por uma marca não apenas como uma estratégia de marketing, mas sim como uma ideologia que norteia todas as suas ações. Vale ressaltar que o storytelling e o storydoing não são inimigos, mas sim aliados na missão de impactar a jornada de compra do consumidor. Afinal, se você tivesse que escolher entre investir seu dinheiro em produtos de uma marca que se diz socialmente responsável ou de outra que realmente investe em melhorias para a sociedade e consegue mostrar isso nos seus canais de comunicação, qual seria sua escolhida?


Sabendo que storydoing é a união de história e ação, você pode estar se perguntando: o que caracteriza a comunicação de uma empresa "storydoer"? Primeiramente, é essencial que a empresa, para comunicar ações relevantes, pratique de fato ações socialmente responsáveis. Sendo assim, é preciso ter uma história real que envolve a ambição de impactar a vida das pessoas positivamente. Além disso, é muito importante que a história comunicada traduza a cultura da empresa, de modo que sua missão, visão e valores estejam difundidos em todas as suas práticas, impactando os stakeholders internos e externos. Com isso, espera-se que os clientes se sintam parte de algo maior ao investirem em um bem ou serviço de uma empresa que faz a diferença e esse sentimento impacte o status do cliente ao longo do pipeline de vendas, uma vez que, segundo dados do "Edelman Trust Barometer 2019", 81% dos consumidores ao redor do mudo consideram que acreditar que a marca toma atitudes corretas é um fator importante na decisão de compra.


Diante disso, percebemos que a aplicação do storydoing como uma estratégia de comunicação das marcas propicia o desenvolvimento de uma conexão emocional com a audiência e gera credibilidade para as empresas. Além desses benefícios, observa-se que, atualmente, as pessoas costumam compartilhar histórias comoventes nas redes sociais, como é o caso do @razoesparaacreditar, uma conta no Instagram voltada para o compartilhamento de ações com impacto social. Com isso, as ações da marca podem se popularizar e conquistar novos clientes, além de gerar brand awareness organicamente.


Para tangibilizar o que são empresas "storydoers", vale observar um case interessante. Certa vez, em 2017, o Google recebeu uma carta escrita por Chloe Bridgewater, uma garota de apenas 7 anos com um pedido inusitado: uma vaga de emprego no futuro.


"Querido chefe da Google, meu nome é Chloe e quando eu ficar maior eu gostaria de um emprego na Google. Eu também quero trabalhar em uma fábrica de chocolates e nadar nos Jogos Olímpicos, eu vou nadar no sábado e na terça-feira. Meu pai disse que eu posso sentar em sacos de grãos e descer em escorregadores e andar em karts trabalhando na Google. Eu gosto de computadores também e tenho um tablet em que jogo meus games. Meu pai me deu um jogo onde eu tenho que mexer um robô para cima e para baixo em quadrados. Ele disse que vai ser bom para eu aprender sobre computadores. Meu pai me disse que vai comprar um computador um dia. Eu tenho 7 anos de idade e meus professores dizem para minha mãe e para o meu pai que eu sou muito boa nas aulas, sou boa em soletrar e ler e nas minhas somas. Meu pai me fala que se eu continuar sendo boa e aprendendo, um dia eu talvez seja capaz de ter um emprego na Google. Minha irmã Hollie também é muito esperta, mas ela gosta de bonecas e de se vestir, ela tem 5 anos.Meu pai me contou que preciso enviar um currículo para conseguir um trabalho na Google. Eu não sei direito o que um deles faz, mas ele disse que uma carta ia servir por enquanto. Obrigado por ler minha carta, eu só tinha enviado antes uma que foi para o Papai Noel. Tchau".


Para a surpresa da menina, dias depois ela recebeu uma resposta do CEO da empresa agradecendo pela carta e incentivando-a a se dedicar aos estudos e seguir seus sonhos.


"Querida Chloe,


Muito obrigado pela sua carta. Fico feliz que você gosta de computadores e robôs, e espero que você continue a aprender sobre tecnologia. Eu acho que se você continuar trabalhando duro e seguindo os seus sonhos, você pode conquistar tudo o que você coloca na sua cabeça - desde trabalhar no Google até nadar nas Olimpíadas. Estou ansioso para receber o seu currículo quando você terminar os estudos! :)


Tudo de melhor para você e a sua família.


Atenciosamente,


Sundar Pichai, CEO."


Essa atitude sensível e o incentivo aos estudos como um transformador de realidades vindo de uma empresa do porte do Google chocou muitas pessoas, inclusive o próprio pai de Chloe. Com isso, percebe-se que a empresa se posicionou a favor de uma causa social, o incentivo aos estudos e desenvolvimento das crianças, mostrando uma ação de seu CEO. Decerto, muitas pessoas que entraram em contato com esse acontecimento se sentiram mais próximas do Google por compartilharem dos mesmo valores e apoiarem a ação, cumprindo o objetivo do storydoing: construir uma narrativa emotiva e real que conecte marca e consumidor.


Adotar o storydoing como uma estratégia vai além da conquista de clientes, envolvendo um mergulho na estrutura da marca para identificar claramente a missão, visão e valores que norteiam cada atitude tomada pela instituição.


Texto por: Clara Veloso.











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